exa 01 by Ed




exa 02


Set Fire to Flames - Fukt Perkusiv/Something About Bad Drugs, Schizophrenics and Grain Silos

(todas as imagens neste blog são da autoria de Edgar Libório, usadas com permissão)

   

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song of my typewriter:

the best way to think is not at all-
my banjo screams in the brush
like a trapped rabbit (do rabbits
scream? never mind: this is an
alcoholic dream);
machine guns, I say,
the altarboys,
the wet nurses,
the fat newsboys,
rubber-lipped delegates
of the precious life;
my banjo screams
sing
sing through the darkened dream,
green grow green,
take gut:
death, at last,
is no headache.

Charles Bukowski, The Days Run Away Like Wild Horses Over The Hills, Ecco/HarperCollins, 1969



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16.4.12
lollipop belly
Encho-me de coragem antes de encostar o ouvido ao chão. Na curva da linha férrea, mesmo que o comboio passe devagar não dá tempo de me ver e de não me cortar a cabeça, assim, limpo. Aqui há tempos houve uma mulher que se matou neste sítio, com a mãe. Segurou a mãe, encontraram-nas ali, os corpos normais, só que, depois, no topo, sem cabeça. Ela estava a segurar a mãe, provavelmente a mãe não queria mais aquilo, à última da hora, queria desistir, "estou velha mas não me apetece morrer, e tu também não devias desistir assim de tudo isto, que és mais nova, só porque houve um homem na tua vida e agora já não há." Mas a filha não ouviu nada e segurou-a como se segura um bebé, os bebés e os velhos não têm força, seguram-se facilmente, magoam-se facilmente, matam-se ainda com mais facilidade. A filha era mais nova mas mesmo assim já não era nova, tinha havido uma altura em que - não digo que fosse feliz, mas, pelo menos, era mais feliz do que estava, agora - tinha tido um marido, um companheiro, um homem que lhe fazia companhia, que lhe beijava as coxas, por dentro, ela ainda com as cuecas vestidas mas mesmo assim sem evitar os líquidos próprios de quem recebe beijos na parte interna das coxas por parte da pessoa que ama, sem evitar os cheiros, ele dizia que o cheiro dela o deixava maluco e tocava-lhe no sexo, sobre as cuecas, com o nariz e com os lábios e com o queixo e o sexo estava como uma papoila aberta e cheirava bem e parecia coberto de um orvalho espesso que molhava as cuecas. E ele nunca lhe despia as cuecas, tocava-lhe por cima das cuecas com os dedos, com os lábios, dizia que ficava maluco com o cheiro dela e ela puxava-lhe os cabelos e empurrava-lhe a boca contra o sexo tapado, ele molhava-lhe as cuecas com saliva e ela molhava as cuecas com os líquidos próprios de quem recebe beijos íntimos da pessoa que ama. Mas depois ele foi-se embora, ela ficou sozinha com a mãe, a mãe era mais velha, os médicos diziam cada dia mais que estava a ficar senil, a velha, tremia muito do pescoço e das mãos, estava sentada o dia todo num sofá, sob a janela da cozinha, encostava a cabeça e fechava os olhos, que eram pequenos, já, só duas pálpebras e um risco escuro onde elas se separavam uma da outra. A velha dormia.
Dizem que o comboio lhes cortou as cabeças e que não sentiram dor, há teorias sobre isso, sobre uma consciência que permanece cerca de um minuto, nas cabeças decepadas, mas os comboios cortam os corpos cirurgicamente, só uma linha, se se tivesse a tecnologia para isso, bastava encostar as partes cortadas e as pessoas podiam voltar a viver, respirar, sofrer, morrer outra vez. Eu não tenho coragem, tenho o ouvido encostado ao chão, os carris não trepidam, estão só quentes, de estar ao sol por tantos dias seguidos, brilham, separam um lado do outro, se se colasse um lado ao outro de certeza que o chão podia voltar a viver outra vez.
Posted at 05:09 pm by Cássio Almirante

 

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